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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Estudo demonstra que biodiversidade melhora qualidade da água nos rios
Quanto mais espécies tiver um habitat, mais depressa os poluentes serão removidos da água, conclui um estudo publicado na revista “Nature” sobre o papel da biodiversidade na melhoria da qualidade dos rios.Brad Cardinale, da Universidade de Michigan, recriou 150 rios em laboratório para estudar como é que o número de espécies de algas num habitat afecta a velocidade a que os poluentes são removidos da água. Concluiu, então, que em habitats com oito espécies, os nitratos são removidos até 4,5 vezes mais depressa do que em habitats com apenas uma espécie, segundo um comunicado publicado no site da “Nature”.
“Os estudos na natureza mostraram que ecossistemas mais diversos têm concentrações de poluentes mais baixas. Este estudo mostra que a biodiversidade pode controlar um serviço vital para a humanidade, isto é, a purificação da água”, comentou Cardinale.
A explicação que o investigador encontrou relaciona-se com os nichos. Cada espécie de alga está especialmente adaptada a um habitat particular num rio e concentra-se nesse local, ou seja, num nicho ecológico. "À medida que fomos acrescentando algas aos nossos pequenos modelos, mais habitats foram sendo ocupados e o rio passou a ter maior capacidade para absorver os poluentes", explicou.
“O que torna este um estudo único é que analisa pormenorizadamente o impacto da biodiversidade num sistema pouco estudado”, comentou David Tilman, ecólogo na Universidade do Minnesota.
“Não penso que esta investigação sugira que precisamos conservar cada espécie num ecossistema. Mas levanta a questão: de quantas espécies precisamos para termos água com qualidade?”, questionou Cardinale.
Ainda assim, vários especialistas têm dúvidas sobre este trabalho. “Gerar toda uma paisagem num microcosmos é um feito técnico notável. Mas será que este mecanismo é relevante num contexto natural?”, pergunta Jason Fridley, da Universidade Syracuse, em Nova Iorque.
Cardinale explica, então, que já “existem estudos que mostram que ecossistemas mais diversos têm menores concentrações de poluentes. Mas não explicam por quê. Para o fazer precisamos de criar um sistema simplificado em laboratório e controlar tudo, excepto a diversidade”.
“Sabemos que a diversidade de espécie interessa. Mas o que ainda não sabemos é quantas e quais as espécies a conservar”, comentou Cardinale.
Mais ataques de tubarões em 2010
Relatório foi publicado por investigadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.Em todo o mundo houve 79 ataques de tubarões a seres humanos, no ano passado. Um valor recorde desde 2000, em que se registaram 80 episódios. No Egipto ocorreu a situação mais excepcional, quando em apenas cinco dias de Dezembro se registaram seis destes ataques, que mataram uma pessoa.Ao todo os ataques fizeram seis vítimas em 2010. O recorde de ataques pode apenas ser explicado pelo maior número de banhistas, segundo os investigadores.
Desulpem a falta de Informação.
sábado, 30 de outubro de 2010
O Torpedo que dá choques de 200 volts.
Já é raro aparecer nas redes dos pescadores do Sado. Muito por culpa do aumento da poluição do rio. Mas quem já teve um encontro de 'terceiro grau'com a tremelga, um dos peixes mais perigosos da costa portuguesa, não o esquecerá tão depressa - "é como meter os dedos numa ficha"
É uma daquelas espécies de peixe que não dá nas vistas. Apenas porque raramente se mostra. Tem apetência por estar parada, lá bem nas profundezas macias, até aos 150 metros, mas não se importa de explorar os fundos próximos da costa. Só que quando a tremelga decide atacar uma presa ou precisa de se defender de predadores, todos os cuidados são poucos. A enorme nuvem de areia que se ergue à sua volta é apenas o aviso de que está por ali uma espécie de "arma de combate", que brilha tanto, que está furiosa e com fome, ao ponto de dar descargas eléctricas na casa dos 200 volts. Não é por acaso que a tremelga surge entre os peixes mais perigosos da costa portuguesa, quando se consulta os livros de boas práticas na pesca desportiva ou mergulho. Quem já experimentou a potência da voltagem faz um relato suficientemente esclarecedor do "encontro". "É como meter os dedos numa ficha. Perdemos o sentido das coisas por um instante. Afinal, ela só quer que a larguem para ir à sua vida. Mas lá que deixa os cabelos em pé..."
A explicação é de Joaquim Sabino Gouveia, um pescador de Sesimbra com formação em Biologia, que não voltou a cometer o erro de retirar tremelgas da rede como de simples raias se tratassem. E se são parecidas aos olhos do cidadão comum! Por exemplo, no rio Sado o torpedo-marmota é quase uma réplica fiel. É preciso conhecer alguns pormenores. A principal referência recai sobre os cinco enormes ocelos azuis. Encontram-se sobre o disco, simetricamente dispostos, bordeados por um anel mais escuro e outro mais claro.
Talvez seja o suficiente para não deixar escapar a presença daqueles dois órgãos eléctricos reniformes bem desenvolvidos e fortes. Visíveis externamente, principalmente entre os maiores exemplares, que podem atingir o imponente comprimento de 60 centímetros.
Os indivíduos mais pequenos desferem descargas eléctricas menos contundentes, equivalentes, contudo, à potência de 50 e 80 volts. Todavia, é com recurso aos órgãos eléctricos que a tremelga lança ataques fulminantes às suas presas, escolhendo, sobretudo, peixes de dimensões mais reduzidas, embora na sua dieta também caibam pequenos invertebrados e alguns crustáceos.
É curioso, ainda assim, o facto de esta espécie estudar bem a "refeição" antes de partir para o ataque. Não arrisca em se defrontar com outros peixes de maior envergadura, pelo que só quando tem certeza do que realmente quer, é que se ergue dos fundos dos mares, revolvendo tudo à sua volta, mesmo quando os movimentos são ténues e lentos.
Esta "confessa" apreciadora do descanso e do sossego - é capaz de estar parada horas a fio, como se de um sono profundo se tratasse, confundindo-se com a areia - foge das águas ambientalmente desfavorecida. O aumento da poluição no Sado, com a instalação de novas fábricas, tem-se revelado um obstáculo à nidificação desta espécie. Já lá vai o tempo em que apareciam com frequência na rede dos pescadores; nos últimos anos a tremelga começou a escassear por estas paragens. "Ainda há alguma, mas não se compara com há uns 20 anos", lamenta o pescador/biólogo. A despoluição do Tejo, pelo contrário, tem-se revelado um "chamariz interessante" para este peixe.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Borboletas-monarcas usam plantas contra parasitas.
"Demonstrámos que algumas espécies de plantas das quais se alimentam as larvas podem reduzir a infecção por parasitas nas borboletas-monarcas", explicou o investigador Jaap de Roode, que coordenou o estudo.
A equipa demonstrou também que as borboletas infectadas preferem depositar os ovos em plantas que diminuem a infecção. "Isso sugere que as borboletas-monarcas evoluíram no sentido desta capacidade de medicar os filhos", sublinhou o mesmo investigador.
Até hoje, poucos estudos foram feitos sobre a capacidade de automedicação dos animais. Esta investigação oferece provas "muito fortes" nesse sentido.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
'Tyrannosaurus rex' praticava canibalismo.
Estudo agora divulgado, após análise de fósseis, revela que o rei dos dinossauros comia elementos da mesma espécie.O rei dos dinossauros, o Tyrannosaurus rex, não só comia espécies de dinossauros mais pequenas como também comia elementos da mesma espécie, revela um estudo ontem publicado na revista PLoS ONE.
A descoberta surpreendeu a comunidade científica, que sabia da superioridade do Tyrannosaurus rex face a outras espécies, mas desconhecia que provavelmente se comiam entre si.
Paleontólogos dos EUA e do Canadá estavam a analisar fósseis para outro estudo sobre as marcas de dentes de mamíferos em ossos de dinossauros quando o investigador Nick Longrich, da Universidade de Yale, detectou um osso com umas marcas especialmente grandes. De acordo com Longrich, tendo em conta a idade e a localização dos fósseis, a marca só podia ter sido feita por um Tyrannosaurus rex.
"É o tipo de marca que qualquer carnívoro grande podia ter feito, mas o Tyrannosaurus rex era o único grande carnívoro no Oeste da América do Norte há 65 milhões de anos", afirmou o cientista.
Depois de analisar uma dúzia de ossos de Tyrannosaurus rex em várias colecções de diferentes museus fósseis, o investigador descobriu três ossos de pata e um osso de uma extremidade superior que mostraram evidência de canibalismo, uma percentagem que os especialistas consideram significativa.
"É surpreendente a frequência com que parece ter acontecido", afirmou Longrich, referindo, no entanto, que não é possível compreender, para já, o que isto significa.
Descoberta uma nova espécie de carnívoro.
É o primeiro carnívoro descoberto nos últimos 24 anos, mas o seu futuro é incerto devido às ameaças ao seu 'habitat'.É do tamanho de um gato, embora não pese mais de meio quilo, tem uma pelagem castanha escura e uma longa cauda e é uma nova espécie de carnívoro, que foi descoberta na lago de Alaotra, em Madagáscar. É o primeiro carnívoro descoberto desde há 24 anos, mas é também um dos mais ameaçados do mundo, alertam os seus descobridores, uma equipa de biólogos da Durrel Wildlife Conservation Trust.
O novo mangusto, baptizado com o nome científico de Salonia durrelli, foi pela primeira vez avistado durante uma expedição promovida pela fundação Durrell para realizar um censo da população dos lémures naquela região de Madagáscar, ainda no ano de 2004.
Nessa altura, quando os biólogos avistaram o pequeno animal a nadar na lagoa e a passear-se pelas terras alagadas em volta, suspeitaram que poderia tratar-se de uma nova espécie. E afinal não se enganavam.
No ano seguinte, uma nova missão de biólogos da fundação conseguiu capturar um exemplar e o seu estudo, em colaboração com especialistas do Museu de História Natural de Londres, acabou por confirmar a nova espécie de mangusto. O seu nome é uma homenagem ao naturalista e escritor britânico Gerald Durrell, que faleceu há 15 anos. O seu legado acabou por favorecer também a descoberta desta nova espécie. No entanto, o futuro deste carnívoro "é muito incerto", alertam os biólogos. A rápida expansão da agricultura na região é uma ameaça séria.
domingo, 3 de outubro de 2010
Lince-ibérico em Portugal é tema de seminário.
No Ano Internacional da Biodiversidade, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) vai realizar o 1.º Seminário do Lince-Ibérico em Portugal.A iniciativa, que decorrerá de 28 a 29 deste mês na Universidade do Algarve, irá abordar os projectos de conservação in situ do lince-ibérico que estão a decorrer em Portugal; os programas de reprodução em cativeiro; e a gestão de áreas de interesse para a conservação e o envolvimento da sociedade na conservação desta espécie. O lince-ibérico (Lynx pardinus), pouco maior que um gato doméstico, é a espécie de felino mais gravemente ameaçada de extinção.
Pinguim gigante viveu há 36 milhões de anos.
Tinha o dobro do peso do pinguim-imperador e mais 30 centímetros do que este, chegando aos 1,5 metros de altura.Uma equipa de paleontólogos norte-americanos descobriu o fóssil de um antigo pinguim gigante que viveu há mais de 36 milhões de anos no Peru. O Inkayacu paracasensis, ou "rei das águas", media mais de 1,5 metros de altura, tinha o dobro do peso do pinguim-imperador e estava coberto de penas castanhas e cinzentas. A descoberta permite perceber melhor a evolução desta aves, segundo o estudo publicado na revista Science.
"Antes da descoberta deste fóssil, não tínhamos qualquer indicação sobre as penas, a sua cor e a forma dos membros destes antigos pinguins", explicou Julia Clarke, da Universidade do Texas. "Tínhamos várias perguntas e esta é a primeira hipótese de respondermos", acrescentou a principal autora do estudo.
O fóssil - que foi baptizado de "Pedro" - foi encontrado por um estudante peruano na Reserva Nacional de Paracas e mostra que o formato dos membros e das penas evoluiu muito cedo, enquanto as cores - hoje o preto e branco, em vez do castanho e cinzento - só terão surgido mais recentemente.
É a forma dos seus membros e o modo como as penas criam uma camada protectora que permite que os pinguins sejam tão bons nadadores. "Uma coisa que é interessante é que a profundidade a que os pinguins de hoje conseguem mergulhar está relacionada com o seu peso", disse Clarke à BBC. "Quanto mais pesado, mais fundo vai. Se isto for verdade para qualquer pinguim, então estes gigantes atingiam profundidades muito diferentes dos de hoje."
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Falcão-da-rainha visita Portugal no inicio do Outono.
Durante a migração, a península de Sagres, os cabos de São Vicente e Espichel ou a lagoa de Santo André são os locais onde se poderá avistar esta espécie, considerada nativa de Portugal, mas que nunca foi muito abundante no País. Pressão urbanística no litoral tem vindo a afastar a ave do território nacional.Falcão-da-rainha é uma ave de rapina veloz e ágil que nos anos oitenta do século passado foi considerada extinta como reprodutora em Portugal. No entanto, no final do Verão e no início do Outono, quando acontece a migração, o elegante falcão passa pelo território português e pode ser avistado em zonas costeiras como na península de Sagres e no cabo de São Vicente (Algarve) e, mais raramente, no cabo Espichel e na lagoa de Santo André (Santiago do Cacém, Alentejo).
Também conhecida como falcão-de-eleonor, esta ave, considerada nativa de Portugal pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), nunca foi muito abundante (como nidificante) no País. "Na década de 80, havia uma colónia com cerca de dez casais, nas falésias, próximo da Ericeira, mas terá sido destruída nessa altura", conta ao DN Domingos Leitão, da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).
Sendo uma espécie costeira, enquanto reprodutora, a ave de rapina foi afectada pela pressão humana exercida sobre o litoral, nomeadamente no que respeita ao turismo, que lhe retirou os locais de nidificação. O lugar mais próximo de Portugal onde esta espécie de falcão ainda nidifica é nas ilhas Baleares, em Espanha.
A dieta alimentar do falcão-da-rainha é constituída maioritariamente por grandes insectos, entre eles as libelinhas, as borboletas, as cigarras e os gafanhotos. Mas desde o final de Julho e até Outubro passa a alimentar-se quase exclusivamente de pequenas aves como as cotovias, as andorinhas e as petinhas.
A característica mais peculiar desta espécie rara de falcões é o facto de atrasar a sua época de reprodução - começa em Julho, bastante mais tarde quando comparada com as outras aves migratórias, que se reproduzem na Primavera. O falcão-da-rainha atrasa a reprodução para que a altura em que os juvenis precisam de alimento coincida com o influxo de aves migratórias que voam sobre o Mediterrâneo e, desta forma, dispor de mais mantimento para si e para as suas crias.
Depois da reprodução, o falcão-da-rainha, de tamanho médio, cor escura, asas e cauda compridas, migra para a África continental e para a ilha de Madagáscar, onde passa o Inverno. Retoma uma dieta alimentar baseada em grandes insectos. Surge no Mediterrâneo em Abril.
Apesar de o seu estatuto de conservação ser pouco preocupante, o esbelto falcão-da-rainha está sujeito a diversos factores de ameaça nos locais onde cria e durante a migração. "As principais ameaças são a destruição de habitat, os problemas graves de perseguição directa (caça) e as pressões a que está sujeito durante a migração, que se revela muitas vezes uma jornada bastante perigosa", explica Domingos Leitão.
A Grécia é considerada o país mais importante para a preservação e conservação do falcão-da-rainha, pois, durante a época de reprodução, alberga aproximadamente 85% da população mundial da espécie. Por ser uma das espécies de aves mais importante da Grécia, já foi sujeita a diversos projectos e medidas que visam a sua protecção a longo prazo.
O falcão-da-rainha vive em colónias e chega a ser confundido com o falcão-peregrino que, no entanto, é maior e tem a cauda mais curta. Em Portugal, é uma espécie migradora de ocorrência ocasional.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Polinização das abelhas está a perder intensidade.
Pela primeira vez um estudo demonstra efeitos da redução das populações.Há crescentes provas de um declínio nas populações de abelhas e os cientistas pensam que isso terá um efeito negativo na agricultura, mas pela primeira vez foi publicado um estudo que demonstra uma quebra na polinização produzida pelas abelhas. As consequências são potencialmente catastróficas na produção de alimentos, mas o estudo complica a questão, ao sugerir que as alterações climáticas podem ser uma causa secundária.
As abelhas são dos insectos mais activos na polinização das plantas. A polinização por insectos ocorre quando os animais, ao tocarem nos estames das flores, carregam consigo as células reprodutoras masculinas (pólen) que depositam no receptor feminino, estigma, de outra flor. Ora, com o declínio das populações de abelhas, constatado em muitos locais, é natural que ocorra uma diminuição da polinização e, portanto, na produção agrícola. Isto preocupa muitos cientistas, já que tem consequências na produtividade dos campos e poderá dificultar a alimentação da humanidade.
Faltavam as provas científicas deste efeito. O estudo de James Thompson, do Departamento de Ecologia da Universidade canadiana de Toronto, tem por isso grande importância, por ser o primeiro que analisa a questão a médio prazo e que inclui resultados de longos ensaios de campo.
Durante 17 anos, os cientistas mediram a polinização na flora selvagem de uma zona nas Montanhas Rochosas, no Colorado, EUA. Compraram até os terrenos, para garantir que não haveria interferência humana externa nestes ensaios.
Os declínios na polinização das abelhas verificaram-se ao longo dos anos, mas também no início de cada temporada, o que os cientistas explicam com o crescente desfasamento entre o ciclo das plantas e o fim da hibernação das abelhas daquela região. Foram realizados ensaios de controlo em que as plantas eram polinizadas pelos cientistas. O declínio das abelhas e também da polinização foi aumentando ao longo do tempo.
Por outro lado, os cientistas pensam que as alterações climáticas causaram o desfasamento entre a data do fim da hibernação e a abertura das flores. Em conclusão, a polinização tornou--se vulnerável a pequenas alterações, mesmo num ambiente relativamente livre de intervenção humana.
Entretanto, surgiu outra informação preocupante sobre o estado das populações de insectos polinizadores. Ontem, foi também divulgada a conclusão de um estudo britânico, segundo o qual a população de abelhões no Reino Unido está à beira da extinção.
Estes insectos tornaram-se tão escassos que se reproduzem em linhas geneticamente aparentadas, tornando-se mais susceptíveis a infecções por parasitas. Vulneráveis a doenças, estes insectos ficam em risco de extinção, afirmam os cientistas da Universidade de Stirling.
No Reino Unido, há ainda 24 espécies diferentes de abelhões, das quais pelo menos um quarto em grandes dificuldades de sobrevivência. Nas últimas décadas, desapareceram pelo menos duas espécies de abelhões no Reino Unido.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Baratas usadas em antibióticos.
Ingleses descobriram que o cérebro das baratas e o dos gafanhotos têm substâncias que podem ser usadas na cura de doenças.Podem ficar sem comer cerca de um mês, possuem alta resistência à radiação (dez vezes mais que os humanos), adaptam-se a uma enorme variedade de condições e podem até desenvolver tolerância contra alguns tipos de veneno. Agora, o cérebro das baratas pode ser a chave na luta contra algumas doenças. Um grupo de investigadores descobriu que o cérebro destes insectos tem diversos químicos que podem ser usados para se fazerem antibióticos contra doenças que são bastante resistentes a medicamentos.
Um estudo conduzido por cientistas britânicos sobre o cérebro das baratas e o dos gafanhotos descobriu um número de químicos que podem matar micróbios como o SARM (ver caixa). Os investigadores esperam que esta possa ser uma arma poderosa para impulsionar a diminuição do número de antibióticos usados para tratar vários tipos de infecções bacterianas.
Na pesquisa, que foi divulgada num encontro da Society of General Microbiology, descobriram-se nove tipos diferentes de químicos nos cérebros de gafanhotos e baratas, todos eles com propriedades antibacterianas fortes o suficiente para matar noventa por cento de SARM sem danificar qualquer outro tipo de células humanas.
Simon Lee, da Universidade de Nottingham, é o autor do estudo. Para o cientista, é a capacidade das baratas em viver na sujidade e em condições infecciosas que faz o cérebro destes insectos ter este tipo de componentes. "Eles devem ter qualquer tipo de defesa contra microorganismos. Pensamos que o sistema nervoso das baratas precisa de ser constantemente protegido, porque se este for abaixo o insecto acaba por morrer. Apesar disso podem sofrer danos nas estruturas periféricas sem que isso aconteça", explicou à BBC News.
Agora espera-se que estes componentes possam ser usados no tratamento de infecções que já são resistentes aos mais variados tipos de medicamentos, como o E. coli - que pode provocar gastroenterites, infecções urinárias, apendicites ou meningites - e o SARM, que estão a tornar-se difíceis de tratar, mesmo usando os antibióticos mais poderosos.
"Um rácio de mortes de 90% é um valor muito alto. Mesmo depois de ter diluído a substância, o que significa que havia apenas uma pequena quantidade dela na solução." Os antibióticos convencionais reduzem o número de bactérias e deixam o nosso sistema imunitário tratar do resto do problema. Por isso, para se ter algo com tanto poder de eliminação, que é também tão potente numa dose tão pequena, é bastante promissor", disse Simon Lee.
Apesar da novidade, os componentes ainda vão precisar de anos de testes para se avaliar a segurança e a eficácia antes de serem desenvolvidos medicamentos para o mercado.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A guerra das estrelas.
Se as partir, multiplicam-se. As estrelas-do-mar podem ser uma verdadeira praga para pescadores e donos de viveiros de ostras. Mas são indispensáveis ao equilíbrio ecológico.As estrelas-do-mar têm uma característica que as torna únicas - sempre que perdem um dos braços, regeneram-no. E se o braço partido levar consigo um pouco que seja do corpo (basta um quinto do disco central), dá origem a uma nova estrela-do-mar. Um fenómeno curioso mas que transforma as estrelas-do-mar em verdadeiras pragas, capazes de devorar recifes de coral e campos de bivalves, para desespero dos criadores de ostras.
Nas águas portuguesas existe uma espécie, a Coscinasterias tenuispina, conhecida como blue sea star (pelos tons azul-lilás que apresenta), que tem grande facilidade em perder os braços e os regenerar. "Ficam uns mais curtos que outros e é das únicas em que os braços não são necessariamente cinco ou múltiplos de cinco, como acontece com quase todas as estrelas-do-mar." Quem o diz é Dora Jesus, bióloga marinha, que, nos anos 90, fez um dos únicos estudos que existem no País sobre as estrelas.
Ao todo, no mundo existem 1500 espécies de estrelas-do-mar, nenhuma delas unicamente portuguesa. Mas encontram-se ao longo de toda a costa. "Não existe informação em relação ao número de indivíduos nem sobre o Estatuto de Conservação. Nada nos permite saber se são abundantes no País, ou até se estão em expansão", salienta a bióloga.
Sabe-se apenas que se distribuem de acordo com as suas próprias características de habitat, que variam entre águas frias ou quentes. Temos estrelas-do-mar provenientes da zona do Mediterrâneo, outras com características das águas boreais (que ocorrem também no Norte da Europa) e ainda com características das águas africanas (no caso da Madeira). Há também espécies nos Açores, características das Caraíbas, que são trazidas pela corrente do Golfo.
Para sobreviverem nas nossas águas precisam de temperatura e nutrientes. "A alimentação é o mais importante. Mas, no caso de fazerem a reprodução sexuada, necessitam também de outros exemplares da espécie." É raro encontrar estrelas-do-mar em grupos. "São animais sedentários que precisam de correntes para se deslocarem. Mas às vezes são levadas pelas redes de arrasto."
São consideradas uma praga, constituindo um problema para a ostreicultura, "pela força que os braços têm em abrir as conchas e pela capacidade de deitar o estômago para fora quando comem". E é muito frequente os pescadores encontrarem-nas agarradas às armadilhas e redes, comendo os peixes que lá ficam. "Vêem-se muitas estrelas nas rampas dos portos, que são atiradas fora, quando as redes saem da água", explica Dora Jesus.
O seu apetite voraz coloca-as como predadoras de topo da cadeia alimentar. "São capazes de comer peixes inteiros." Em Espanha são responsáveis por elevados prejuízos económicos, sendo necessário, muitas vezes, retirá-las à mão da água. Mas a solução não é parti-las... em menos de um mês estarão totalmente regeneradas ou até duplicadas.
Dora Jesus alerta ainda para a necessidade de manter o equilíbrio dos habitats. "Retirar algumas dezenas de estrelas-do-mar por dia numa mesma zona é sinónimo de mais ouriços-do-mar", um outro predador, da mesma família dos equinodermes, capaz de transformar as pradarias subquáticas em verdadeiros desertos.
Por isso, quando se sentir tentado a levar para casa, no final do dia de praia, uma bonita estrela-do-mar (uma brincadeira que todos fizemos em criança) pense duas vezes. Até porque, como explica a bióloga, "nem todas servem para secar e servir de adorno. Em Portugal, temos muito poucas que tenham essa capacidade. A maioria das espécies de Asteroidea tende a desfazer-se e a ficar gelatinosa". E vai para o lixo...
Formigas conseguem afastar elefantes.
Cientistas americanos descobriram que as formigas são capazes de proteger dos elefantes as árvores onde vivem. Grupos de formigas, cada uma com apenas 5 miligramas, são capazes de afastar elefantes que têm mil milhões de vezes esse peso.As observações de campo foram realizadas no Quénia, onde os investigadores da Universidade da Flórida constataram que os elefantes esfomeados raramente comiam folhas de uma espécie, a Acacia drepanolobium, árvore que está protegida por formigas capazes de atacar qualquer animal intruso que perturbe a árvore.
As formigas funcionam como protectores das árvores, obtendo em troca um ambiente seguro e alimento vegetal. Os cientistas fizeram várias experiências com elefantes inexperientes para testar a observação. Numa delas, os elefantes podiam comer da sua espécie favorita, Acacia mellifera, mas também da espécie protegida pelas formigas, verificando-se que os animais gostavam de ambas. Quando foram colocadas formigas em apenas uma das espécies de árvores, nas preferidas ou nas outras, os elefantes evitaram sempre as formigas.
A investigação poderá ter implicações na protecção de colheitas, um dos problemas do choque entre humanos e elefantes.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Animal parecido com vespa.
No dia 29 de agosto de 2010 entrou-me um insecto estranho na varanda parecido com uma vespa de patas longas e sem as riscas abituais das vespas (riscas só nas patas) e o mais estranho é que não encontrei na internet nem em livros mas deduso que seja uma especie de vespa.
Cá vai umas fotos:





As imagens não são da melhor qualidade mas dá para observar...
Cá vai umas fotos:
As imagens não são da melhor qualidade mas dá para observar...
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Nova espécie de rã tem tamanho de uma ervilha.
É a mais pequena rã do Velho Mundo, incluindo a Europa, Ásia e África, e uma das mais pequenas do planeta. Do tamanho de uma ervilha, mas de cor amarela, a nova espécie de rã, que nasceu agora para a ciência nas páginas da revista Zootaxa, com o nome Microhyla nepenthicola, foi descoberta na ilha do Bornéu.A nova espécie de minirrã foi identificada por um grupo de investigadores da Malásia e de Hamburgo coordenada por Indraneil Das, da universidade de Saravak da Malásia.
"Vi alguns espécimens em colecções de museus com mais de um século, que terão sido considerados juvenis de outras espécies, mas percebemos que são adultos da microespécie que agora encontrámos", disse Indraneil Das.
As rãs foram descobertas junto a uma estrada, a caminho do topo da montanha Gunnung Serapi, no Parque Nacional Kubah.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Libelinhas e Libélulas: vorazes predadoras de insectos.
Quatro novas espécies foram encontradas no Parque Natural do Vale do Guadiana. A qualidade da água e a destruição da vegetação localizada junto às margens são a principal ameaça a estes seres que chegam a voar a 30 km/hora.Moscas, mosquitos, borboletas, abelhas e besouros são verdadeiros petiscos para as libelinhas e libélulas - consideradas por alguns especialistas autênticos "dragões voadores". Os Odonata, ordem a que pertencem, habitam a terra há aproximadamente 300 milhões de anos. Seres esplendorosos, de variadas cores e formatos, são inofensivos para o ser humano e têm uma função ecológica muito importante, uma vez que consomem uma grande quantidade de insectos, muitos deles bastante prejudiciais para o homem.
São conhecidas a nível mundial cerca de seis mil espécies da ordem Odonata, que se dividem em duas subordens: Zigoptera (libelinha) e Anisoptera (libélula). Em Portugal está confirmada a presença de 65. Há cerca de um ano atrás, foram recolhidas e identificadas 12 espécies no âmbito de um estágio no Parque Natural do Vale do Guadiana, quatro delas novas para a região: Sympecma fusca, Coenagrion caerulescens, Gomphus graslinii e Libellula quadrimaculata. Gomphus graslinii tem o estatuto de espécie "em perigo" no Livro Vermelho dos Invertebrados de Espanha e Coenagrion caerulescens está classificada de "vulnerável".
As libelinhas e libélulas ocupam ambientes diferentes nas duas fases de vida: enquanto ninfas habitam rios, ribeiros e lagoas, e os adultos são facilmente observados a sobrevoar os cursos de água e nas suas margens. Dentro do território do Parque Natural do Vale do Guadiana é na ribeira do Vascão que estes Odonatas fazem a postura dos ovos.
As maiores ameaças a estas eficazes predadoras de insectos ocorrem na sua fase larvar. "A principal ameaça para a conservação destas espécies é a poluição da água", refere Cristina Vieira, bióloga que realizou o estágio no Parque do Vale do Guadiana e a responsável pela identificação das espécies. "A agricultura e o pastoreio são também factores de ameaça à sobrevivência das libelinhas e libélulas", acrescenta.
A agricultura é responsável pelo desaparecimento de uma parte importante da vegetação, essencial para as ninfas se desenvolverem. Por outro lado, essa actividade é agravada pelo "comportamento agressivo do gado que, ao pisar as margens da ribeira, destrói a vegetação tão importante para os Odonatas".
Cristina Cardoso, bióloga e técnica superior do Parque do Vale do Guadiana, salienta que a "permanência do gado nas linhas de água e a consequente presença de excrementos (carregados de nitratos) agrava as condições do sistema aquático, prejudicando estas espécies". Por esta altura do ano, em que as secas são uma constante no Baixo Alentejo, nas pocinhas de água (pegos) concentra-se toda a vida, tanto os animais como os nutrientes, mas também os factores de ameaça, tornando as populações mais frágeis. A extracção de inertes, a captação de água dos pegos, a construção de açudes e as alterações climáticas são também ameaças a este grupo de insectos.
No que respeita a medidas de conservação destas espécies, Cristina Vieira refere "a manutenção da qualidade das linhas de água, com especial atenção para a preservação da vegetação ribeirinha existente".
As vigorosas asas permitem às libelinhas e libélulas um voo extremamente rápido (superior a 30 km/hora) e em todas as direcções. Os olhos, compostos por milhares de lentes microscópicas, permitem-lhes ter um campo de visão de quase 360º. Características que facilitam a captação de presas, mas que, ainda assim, não as livram de predadores como as andorinhas, os abelharucos, as garças e os guarda-rios.
sábado, 21 de agosto de 2010
Aquecimento da Terra ditou fim dos mamutes.
Equipa internacional coordenada pela universidade britânica de Durham estudou pólenes antigos e concluiu que os grandes herbívoros perderam as suas pastagens.A teoria preferida para explicar o fim dos mamutes, há quatro mil anos, tem sido a de que ele foi caçado até à extinção pelo Homo sapiens. Mas afinal não terá sido assim. Um estudo de uma equipa internacional, que olhou para pólenes antigos e fez simulações por computador, diz que o motivo foi a diminuição drástica das pastagens, desencadeada pelo início do período interglaciar que estamos a viver desde há 12 mil anos. Uma explicação que é uma parábola para os tempos modernos, dizem os autores do estudo, que o publicam hoje na revista Quarternary Science Reviews.
As conclusões resultaram de uma investigação mais vasta para caracterizar e datar o clima e a vegetação no hemisfério norte durante e após a última era glaciar. Pelo caminho os cientistas reuniram dados que destronam a ideia de que a extinção dos mamutes - e de outros mamíferos gigantes, como o leão das cavernas ou o rinoceronte lanudo, que desapareceram também por essa altura - ficou a dever-se à caça e à com- petição por território por parte do Homo sapiens.
No final da última era glaciar, há cerca de 12 mil anos, houve um declínio acentuado da produtividade das pastagens no planeta e surgiram vastas áreas florestais.
Estas mudanças nos habitats tornaram a vida mais difícil aos grandes mamíferos, que ficaram com uma disponibilidade alimentar reduzida, e isso coincidiu com o crescimento das populações do homem moderno. Embora muitas das espécies tenham sobrevivido ainda alguns milhares de anos, o seu destino terá ficado traçado nessa alteração radical. "A mudança das ricas terras de pasto em extensas regiões no Norte da Eurásia e Alasca para habitats de tundra muito menos produtivos teve um impacto enorme nas espécies dos grandes herbívoros, como rinoceronte-lanudo e o mamute, que se confrontaram com dificuldades alimentares crescentes", disse o coordenador do estudo, Brian Huntley, da universidade britânica de Durham, notando que " foi o principal factor para a sua extinção".
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Réptil pré-histórico gigante nadava como um tubarão.
Investigadores decidiram revisitar fósseis de um mosassauro que estão no Museu de História Natural de Los Angeles e descobriram que os seus dotes natatórios eram melhores do que se supunha até agoraOs mosassauros, répteis pré-históricos gigantes que chegavam a atingir mais de seis metros, foram grandes predadores dos oceanos durante o Cretáceo, há mais de 90 milhões de anos, tendo-se extinguido provavelmente há 68 milhões de anos. Ao contrário do que se supunha até agora, no entanto, estes animais não se deslocavam nas águas como as enguias, com movimentos idênticos aos das serpentes. Eram antes exímios nadadores, um pouco como os actuais tubarões.
Foi esta a descoberta surpreendente de um grupo internacional de investigadores, que decidiu revisitar um conjunto de fósseis bem preservados de um platecarpo, um desses mosassauros, que estava há várias décadas no Museu de História Natural de Los Angeles (EUA).
A nova leitura anatómica do mosassauro e as radicais implicações que ela teve na interpretação dos seus movimentos natatórios foram publicadas num artigo na revista científica PLoS One na semana passada.
Os mosassauros foram assim chamados porque os primeiros fósseis destes répteis marinhos foram descobertos junto ao rio Mosa, na Holanda, ainda no século XVIII. No entanto, os fósseis que agora foram objecto do novo estudo, são bem mais recentes. Foram descobertos no Kansas, (EUA) em 1969, e pouco depois adquiridos pelo Museu de História Natural de Los Angeles, onde têm estado desde então.
Os quatro autores do estudo - Johan Lindgren, da Universidade de Lund, na Suécia, Michael Caldwell e Takuya Konishi, da universidade canadiana de Alberta, em Edmonton, e Luis Chiappe, o director do Museu de História Natural de Los Angeles - fizeram uma avaliação exaustiva dos fósseis incrustados em quatro lajes de rocha, que contêm a quase totalidade de um espécimen que tem mais de seis metros de comprimento e que "é o mais bem preservado que se conhece no mundo" desta espécie extinta, como explicou o coordenador do estudo, o sueco Johan Lindgren.
Nas lajes, além de grande parte do esqueleto, os investigadores encontraram restos das escamas externas do animal, marcas coloridas da pele, restos do conteúdo do estômago, com peixes, e ainda vestígios bem delineados de uma cauda.
Os cientistas conseguiram demonstrar no seu estudo que a forma do corpo do platessauro e a sua terminação, já na forma de barbatana caudal, evoluíram muito cedo nos mosassauros e que estes eram melhores nadadores do que até agora se supunha. "Este fóssil mostra a evolução em acção e como um design de sucesso se desenvolveu em vários grupos no mesmo ambiente", adiantou por seu turno Luis Chiappe, sublinhando que com este estudo que "fica também demonstrado o potencial para novas descobertas que desafiam as teorias estabelecidas".
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